14 de maio de 2012

O CONSULTÓRIO PSICOPEDAGÓGICO

Segundo o Código de Ética da Associação Brasileira de Psicopedagogia, psicopedagogia é um campo de atuação em Saúde e Educação que lida com o Processo de aprendizagem humana; seus padrões normais e patológicos, considerando a influência do meio (família, escola e sociedade) no seu desenvolvimento, utilizando procedimentos próprios da Psicopedagogia.
A Psicopedagogia dirige sua atenção a todos aqueles que apresentam Dificuldade de aprendizagem e aos que desejam entender e melhorar sua própria capacidade de aprender, independente da idade e do lugar onde atuam.

OBJETIVOS:GERAL:
Visa propiciar atendimento psicopedagógico as crianças, adolescentes e adultos, realizar diagnóstico e intervenção psicopedagógico, utilizando métodos, instrumentos e técnicas próprias da Psicopedagogia e trabalhos de prevenção.

ESPECÍFICOS:
  • Favorecer e auxiliar aqueles indivíduos que se sentem impedidos para o saber.
  • Auxiliar indivíduos com transtornos de aprendizagem.
  • Reintegrar o sujeito da aprendizagem a uma vida escolar e social tranqüila, bem como, a uma relação mais afetiva consigo e com o outro.
  • Levar o indivíduo ao reconhecimento de suas potencialidades.
  • Auxiliar o indivíduo no reconhecimento dos limites e como interagir diante deles.
  • Ajudar o indivíduo na busca de alternativas para alcançar o saber.
  • Ressignificar conceitos que influenciam o indivíduo no momento do aprender.
  • Atender o sujeito que apresenta alguma limitação/dificuldade de aprendizagem;
  • Estudar o aspecto inter e intra-psíquico do sujeito, investigando o processo de aprendizagem.
  • Diagnosticar em que nível de desenvolvimento o sujeito se encontra.
  • Propor tratamentos para os possíveis problemas de aprendizagens.

Atendimento psicopedagógico:

a) Observação participante:
A observação é altamente usada em Psicopedagogia porque ela está atrelada ao “ouvir” e ao “olhar” que o Psicopedagogo dirige a todos aqueles que procuram o seu apoio. A observação é participativa porque parte do princípio da “empatia”, da “interação” do “estar contingente” com a situação vivenciada sem impor opiniões e pontos de vista, e sendo afetado por ela. Ao Psicopedagogo não basta ouvir o que o outro tem a dizer, ele tem de participar, auxiliar o outro a articular, a se “resignar” - conformar-se, conciliar-se, harmonizar-se diante de sua história de vida para poder ressignificar-se, ou seja, dar um novo significado à sua história e ações.

b) Entrevistas:
As entrevistas realizadas com os pais (Anamnese), com os professores, coordenadores e com outros profissionais têm por finalidade aprofundar as questões apresentadas, esclarecer o que foi observado, entender a modalidade de ensino-aprendizagem de cada envolvido, entender os significados ocultos em seus discursos, trocar informações, entender quais são os mitos e as crenças a respeito da aprendizagem.
Para que as entrevistas tenham eficiência é necessário que se crie, antes de tudo, um vínculo de confiança entre as partes envolvidas baseado na ética, na moral e no respeito mútuo na medida em que somente um encontro baseado nesse vínculo permitirá a aprendizagem de todos os envolvidos.

c) Análise de documentos:
Os documentos produzidos durante as entrevistas, os dados coletados de outros profissionais e os trabalhos realizados pela criança são usados no sentido de contextualizar o que foi observado, para explicitar as vinculações conscientes e inconscientes, e para identificar a modalidade de ensino-aprendizagem dos envolvidos e, conseqüentemente, para dar continuidade ao atendimento.

d) Orientação aos pais:
A orientação aos pais e responsáveis deve esclarecer dúvidas, preparando e organizando procedimentos de maneira sistemática afim de que a dinâmica familiar possa ser ressignificada gradativamente com apoio, fundamentação teórica e supervisão constante, para melhor conduzir as crianças na construção das modalidades de aprendizagem.

e) Orientação escolar:
A orientação escolar visa auxiliar professores, técnicos e profissionais da área diante das complexidades apresentadas no cotidiano, bem como, na busca da aplicabilidade de novas técnicas e conhecimentos com a intenção de eliminar as fraturas de aprendizagem. É importante analisar a situação do aluno com dificuldades dentro dos limites da escola e da sala de aula, a fim de proporcionar orientações e instrumentos de trabalho aos professores, para que sejam capazes de modificar o conflito estabelecido; avaliar o espaço físico e psíquico da aprendizagem quanto aos seus processos didáticos-metodológicos e a dinâmica institucional utilizada; observar: o material didático e sua utilização, as aulas, os professores, os alunos e as relações estabelecidas professor, aluno e escola; e diagnosticar as rupturas e apresentar soluções contextualizadas à escola e seus objetivos. 

f) Acompanhamento Individual:
O acompanhamento individual visa compreender o sujeito de maneira global, percebendo qual é a dimensão da suas relações: família, escola e sociedade e como o sujeito aprende, qual a dificuldade de aprendizagem e qual a hipótese da fratura do aprender.
Esse movimento se dá diretamente com o sujeito num atendimento individualizado, buscando investigar, intervir e significar o que não vai bem com o sujeito seja no âmbito da aprendizagem ou no âmbito social sempre numa perspectiva de ressignificação dos conceitos.

g) Produções do atendido
Os trabalhos elaborados pela criança servem de apoio e guia para uma boa análise do processo. É normal que a criança queira levá-los para casa, principalmente se for um desenho, uma pintura, modelagem em argila etc. Explique antes de iniciar os encontros que tudo o que for produzido deverá permanecer no “espaço psicopedagógico” até que o processo termine. Caso o Psicopedagogo queira manter os trabalhos além do tempo estipulado, sugiro que faça cópia, tire fotos, escaneie, porque assim poderá dispor da produção da criança em uma supervisão, trabalho acadêmico e registros pessoais, desde que autorizados pelos pais e pela criança.
Durante essa etapa, deixe que a criança manifeste o desejo de guardar ou não suas produções, colocar no mural, emprestar etc.

h) Atendimento psicopedagógico
O Atendimento Psicopedagógico divide-se em duas etapas – Diagnóstico e Acompanhamento. Isto é importante para o psicopedagogo porque satisfaz a questão da Escola e dos pais que necessitam em um primeiro momento de saber o que acontece com o desenvolvimento escolar da criança ou jovem; e para instrumentalizar o Psicopedagogo de bases que fundamentem a sua intervenção na medida em que não há como intervir sem saber de antemão como o outro é em sua essência e em seu modo de agir.


O Diagnóstico procura conhecer a criança ou jovem na sua especificidade e singularidade para identificar como ela faz para aprender aquilo que aprende.


O Acompanhamento procura dar seqüência aos trabalhos iniciados no diagnóstico, com um projeto de intervenção baseado nos dados colhidos e observados. Aqui os pais decidem ou não dar seqüência ao atendimento, podendo fazê-lo com o mesmo profissional ou com outro de seu conhecimento e interesse.

Durante todo o Atendimento Psicopedagógico a criança estará em processo avaliativo, pois a cada momento sempre é apresentado um sujeito agindo e aprendendo. O Psicopedagogo é o mediador nessa relação, abrindo espaço para que a criança possa ocupar um outro lugar, para que ela possa reencontrar o prazer de aprender sobre si mesma e sobre o mundo.


O objetivo geral do Atendimento Psicopedagógico deve ser direcionado e está estritamente vinculado ao próprio objetivo da Psicopedagogia que é o de favorecer a “Autoria de pensamento”.

Para sua consecução, o Psicopedagogo procura respeitar o próprio ritmo da criança porque pressupõe que o conhecimento, o saber deverá ser construído unicamente por ela a partir daquilo que ela mesma consegue processar e simbolizar durante o atendimento psicopedagógico. Desta forma abre-se a possibilidade para que a criança possa aprender no nível mais alto que suas condições orgânicas, constitucionais e pessoais lhe permitam.


O Diagnóstico é o que dá subsídios ao Psicopedagogo para intervir. Apesar de a escola e dos pais pedirem uma avaliação psicopedagógica para atender principalmente a uma demanda deles, essa avaliação, antes de tudo, é um valioso instrumento para o profissional já que oferece alguns parâmetros para a construção de um projeto de intervenção que será desenvolvido com a criança ou jovem, objetivando o seu desenvolvimento.
Por isso, uma boa avaliação inicial é o ponto de partida para a compreensão do significado do problema de aprendizagem. É importante ter uma ‘dupla escuta’ que possibilite verificar como o ‘sintoma’ se apresenta, isto é, identificar a origem do problema, compreender o seu significado e quais as operações mentais que o constituem. Entender o que significa não conseguir somar, dividir, multiplicar, não conseguir ler, escrever, falar, contar, relatar.